| Testemunhos |
Este é um espaço para que todos os membros da RAI possam partilhar com os demais, e também com todos aqueles que visitarem este site, as suas experiências na vivência da espiritualidade inaciana.
Para que seu testemunho seja apresentado no site, envie uma mensagem para: rai@provceleste.com.br
Maria Lucia David de Sanson
" Eu sou RAI porque foi o caminho natural por onde Deus foi me guiando em busca do Magis, ou seja do serviço para maior glória de Deus-AMDG. "
Nascí numa família católica, muito ligada à SJ. Minha mãe e meu pai (que estudou no CSI e foi Congregado Mariano até morrer) casaram no Santo Inácio. Tive um tio jesuíta, muito ligado aos sobrinhos que , mais do que palavras, nos deu exemplos. Hoje percebo como ele vivia os EE EE.!
Estudei no colégio Sacré Coeur de Jesus, onde havia estudado minha mãe e cujas freiras se diziam o " lado feminino " dos jesuítas. Fiz muitos retiros na Casa da Gávea em menina e adolescente, com jesuítas da velha guarda, onde se falava mais de justiça do que amor divino. Particularmente sempre intuí que Deus " não tinha fita métrica" para medir pecados e faltas e foi com muita alegria que após o Concílio descobri um Deus amoroso, que me amava gratuitamente e apaixonadamente.
Após graduar-me em Letras pela PUC do Rio de Janeiro, casei com ex-aluno do CSI, tive 4 filhos, sendo uma católica morna, mas sempre amando a Deus. Há uns 8 anos atrás, fiz um retiro na Casa da Gávea com Pe. Klein SJ, que tinha sido reitor de meus filhos. Como fui parar lá? Não sei, acho que foi o Espírito que me convidou , num momento especialmente difícil. Daí em diante foram descobertas sucessivas de um método para orar, para ficar mais próxima de Cristo, para organizar esse meu amor desmesurado por Deus: os EE EE . Eu e Luiz juntos fizemos etapitas, retiros de 8 dias, etaponas e estamos aqui , juntos nessa caminhada..
Entramos para CVX N.S. do Cardoner há muitos anos, onde, sob a orientação de Pe. Klein , organizamos tardes de aprofundamento e Tríduos Pascais. Eu queria mais, abrir mais, trabalhar com outros grupos, outros estados, ajudar no que pudesse a divulgar os EE EE e as obras da Companhia. Descobrí "Jesuítas e Leigos na Missão" e desde então venho perseguindo a idéia desse " novo sujeito apostólico". Na RAI tenho colaborado com pessoas e jesuítas os mais diversos, unidos pelo desejo de levar os EE EE mais e mais com um ideal de serviço, de "contemplativos na ação".
Hoje estou coordenadora de um setor de Comunicação da RAI, plenamente consciente de meu papel de leiga, parceira dos jesuítas, sob o comando firme mas muito humano do Pe. Guy.
Prometí a Pe. César Augusto, postulador da causa da canonização de Anchieta , a ajudá-lo no Rio de Janeiro. Para isso peço o auxílio e a oração de todos.
Marlene Mannarino
Meu nome é Marlene Mannarino e participo da Rede Apostólica Inaciana desde a sua criação em 31 de julho de 1996.
"Senhor, o que queres que eu faça?" (At 9,6). Eis a pergunta feita por Saulo antes de dar os passos que transformariam para sempre a sua vida e a de milhões de cristãos que vieram depois dele. Quando nos deparamos com uma realidade que absorve o nosso ser e ao mesmo tempo integra-se a ele, queremos logo saber o que pode ser feito para que ela passe a ser definitivamente parte da nossa vida.
E foi assim que surgiu para mim a possibilidade de fazer parte da RAI. Venho já de uma caminhada de Igreja na qual a espiritualidade inaciana em geral, e mais particularmente os Exercícios, têm tido um papel fundamental no meu dia-a-dia. Na minha vida de oração, no relacionamento com os outros, no apostolado, enfim, na missão como um todo, percebo com muita alegria e gratidão a graça que Deus me oferece a cada instante. A experiência dos Exercícios Espirituais só veio confirmar o quanto sou profundamente amada por Deus, quaisquer que sejam as circunstâncias da minha vida; e o discernimento espiritual me mostra que esse mesmo amor me protege e guia a cada passo, conduzindo-me pelos caminhos por onde eu possa mais amar e servir ao Pai e aos irmãos. Sei também que nem tudo são flore; muitas vezes não me deixo guiar, preferindo caminhos que acabam me levando para longe desse amor e desse serviço. Mas é exatamente aí que esse amor infinito se manifesta com maior intensidade; pois a misericórdia me perdoa e me reconduz ao verdadeiro caminho.
E assim, quando penso que tenho um compromisso interior e, ao mesmo tempo, público de viver e anunciar esse amor com todo o meu ser, isso me enche de alegria e força. Alegria porque sei que Deus jamais me deixará faltar o seu amor e a sua graça em minha caminhada e força pois sei que tenho ao meu lado muitos irmãos que, a cada momento de suas vidas, também sentem a infinita alegria de serem amados por Deus e querem comprometer-se cada vez mais a irradiar esse amor a todos os que dele necessitam.
Portanto, para mim, a Rede Apostólica Inaciana como expressão de uma acolhida ao projeto de Deus, de um compromisso fraterno entre todos nós e de uma resposta ao chamado à missão pessoal e coletiva significa a tentativa de vivermos e que no diz o livro de Atos 4, 32: "Os discípulos tinham todos um só coração e uma só alma."
Invejando Mestre Inácio
Luluca Alvim
Gostaria de partilhar um pouco das bênçãos que vivi estes dias em que o Senhor me chamou a ficar quieta no meu canto.
Não sei se sabem, mas levei um tombinho bastante idiota, daqueles que a gente olha e pensa que é claro que não foi nada – mas, foi! E como foi! Quebrei o tornozelo, a perna e ainda rebentei os vasos do pé e esgarcei os ligamentos do pé com a perna.... Resultado: oitenta e dois dias de imobilidade!!!
Quem me conhece deve estar se perguntando como resisti. No primeiro momento, até eu não acreditava que iria resistir. A bem da verdade, até hoje fico com a impressão de que não fui eu quem resistiu... Aquela pessoinha tranqüila e risonha sentada naquele mesmo canto do sofá, dia após dia, com certeza não era eu.
A imagem que me vem de imediato é a do Bom Pastor. Foi assim que me vi todo o tempo. O Senhor me pendurou nos ombros e me carregou... Eu, parte do pequenino rebanho, ovelhinha agitada, muitas vezes berrando alto, mas Ele sempre, com extremo carinho, continuou me carregando. Momentos houve em que até “cosquinha” na barriga Ele me fez...
O primeiro momento de graça, ou melhor, primeiríssimo, foi quando me vi deitada no gramado, sem condições de me levantar, com muita dor e sabendo que ninguém conseguiria me carregar no colo. (Para quem não me conhece pessoalmente eu sou 100kg compactados em 1,50m.) Naquele exato momento duas grandes graças: eu berrei por N. Sra. na certeza de que como mãe ela agüentaria me levantar – e me levantou; e a segunda grande graça: eu me dei conta de que não poderia continuar brincando de engordar...
Depois foram as providências práticas, médico, gesso, muletas etc... e, de repente, eu me vi em casa, com ordem de não colocar o pé no chão nos 75 dias seguintes... O medo foi grande: trabalho, casa, minhas tarefas pastorais, 1ª Etapita de 1999, Retiro de Páscoa, enfim, todas as coisas em que estou envolvida e eu parada, de perna para o ar, tendo que ver o tempo passar.
Logo no primeiro momento comecei a chorar... Helcio, aquela PÉ-RO-LA de marido que Deus me deu (depois de eu ter insistido muito que queria um marido), me lembrou de nossa casa em Caxambu... (Deixe-me explicar-lhes: nós tínhamos uma casinha em Caxambu que era um dos nossos sonhos. A casa foi assaltado, roubaram tudo e nós ficamos muito tristes... Dois ou três meses depois ganhamos de presente de Deus um apartamento muito melhor em Caxambu: melhor localizado, melhor arrumado, melhor fisicamente falando, melhor em tudo e pelo mesmo preço da venda da casa) Helcio, a PÉ-RO-LA me lembrava: “ naquele momento o assalto parecia o fim do mundo e depois descobrimos que foi a melhor coisa que poderia ter nos acontecido. Parei de chorar e me confortei na esperança de que algo de bom deveria vir... (Será??? – dizia meu coraçãozinho incrédulo...)
Uma história muito gozada foi a de uma amiga da minha mãe que foi me visitar e saiu-se com esta: - “Você, uma pessoa tão boa! E Deus deixa isso acontecer logo a você!” E eu, muito espantada olhei para a tal “senhôra” e perguntei-lhe se ela conhecia a história do “purê de anjos”. Claro que ela nunca havia ouvido falar do “purê de anjos”, então eu expliquei a ela que na hora do meu acidente Deus havia colocado 127 anjinhos para me ampararem na queda, mas eu havia esmagado todos eles com o meu peso e feito um “purê de anjos” e que depois disso Ele estava fazendo um enorme esforço para me curar e me consolar... A tal “senhôra” ficou sem entender bem o “purê de anjos” mas, com certeza, entendeu que Deus não sai aí quebrando pernas ao Deus dará.
Ainda no hospital o Bom Pastor me mostraria seu carinho... Eu não poderia pisar o pé no chão, portanto precisaria sair dali de muletas. O médico explicou-me a dificuldade de me ambientar às muletas e me pediu paciência. Peguei as muletas e saí andando com a maior facilidade, a facilidade era realmente tão grande que as pessoas se espantavam com a minha coordenação motora. Ora, se há coisa que eu não tenho lá muito acurada é a coordenação motora (sou um desastre ambulante), sentada no meu cantinho eu refleti sobre isso e me veio de estalo. Desde que eu nasci até os meus treze anos, eu sempre vi meu pai usando muletas, eu havia arquivado na minha memória todos os movimentos necessários para se andar de muletas. Eu havia aprendido inconscientemente toda a dança que é preciso para se usar muletas... E, de repente, me vi dando graças a Deus pelo meu pai doente e, principalmente, pela memória de tantos ensinamentos dos quais eu não tinha registro nem ciência... Estão lá! Fazem parte da minha história! Eu não as conheço, mas cada uma dessas memórias me ajuda a ser a Luluca que sou... Experimentem perceber quantas coisas vocês sabem sem saber que sabem... É um exercício muito lindo de gratidão. E o Bom Pastor faz com que essas coisas importantes fiquem em nossa cabeça sem ocupar espaço, sem exigir esforço, simplesmente lá, dormindo, até a hora em que precisemos delas.
Outro capítulo da novela é o “fazer sem fazer”. É claro que no segundo dia me deu aquela angústia: o mundo tem tanta coisa a ser feita e eu parada aqui feito um dois de copas? Fiquei perguntando à Trindade em que eu poderia ajudar se eu estava ali precisando de tanta ajuda. Aí aconteceu! Aconteceu o que eu chamei “fazer sem fazer”. Havia uma pessoa precisando de cadeira de rodas, havia uma outra com uma cadeira de rodas sobrando (o Bom Pastor colocou as duas em meu caminho); havia um menino precisando de uma cirurgia e havia um médico precisando ajudar um menino (novamente o Bom Pastor colocou os dois no meu caminho, ou melhor, na minha sala); e assim foi, uma infinidade de mesmos caminhos que passavam pela minha cadeira... E eu me dei conta e comecei a contar e foram muitos, foram muitos mesmo! É ou não é “fazer sem fazer”?
Houve o capítulo consolações!!! Que capítulo lindo! O Senhor foi generoso em consolações. Posso dizer sem medo de errar que pelo menos três vezes Ele esteve “ao vivo e a cores” naquela minha salinha...
O capítulo “ver o óbvio nunca visto”. Tanto a Bíblia como o dia a dia apresentaram visões tão óbvias que eu nunca tinha visto... Vou dar dois exemplos. Há cinco anos eu me mudei para minha casa atual e sempre quis por um ar condicionado na sala e nunca encontrei um espaço para colocá-lo, já que a parede da janela era inviável por mil motivos – sentada no meu cantinho me dei conta que a parede em frente sempre foi o lugar privilegiado para um ar condicionado – bendito Bom Pastor! pois não vocês não se deram conta de que eu estava com gesso em pleno verão carioca... O segundo exemplo é do Evangelho. Qual o primeiro milagre de Jesus? Bodas de Caná, é claro. Sim, é claro, mas e daí? Respeitando os teólogos e exegetas e suas teorias, mas, esquecendo um pouco deles e deixando o Coração Amantíssimo de Jesus falar ao meu coração não tão amantíssimo, o primeiro milagre de Jesus é “inútil” (entendam, pelo amor de Deus!) Ele não cura ninguém, não perdoa ninguém, não briga contra nenhuma injustiça – isso é sério – ELE RESTAURA A ALEGRIA! Vejam só! Que lição para mim ali, a um passo da auto-piedade. Ele não deixa uma festa acabar... Daí saíram muitos frutos, mas fica para uma segunda partilha, pois senão essa ficará enorme.
O capítulo “Amigos” (é com letra maiúscula mesmo que se escrevem os meus Amigos) foram tantos! foram tão bons! No capítulo Amigos confundem-se os capítulos Amor e Gratidão. As muletas a tempo? Uma Amiga. A cadeira de rodas? Um Amigo. O conta-gotas de madrugada? Outro Amigo. Os cinco telefonemas diários? Outro Amigo. “Baby-sitters” a todo tempo? Mais Amigos. E comidinhas especiais e dietéticas, e idas e vindas ao médico, e material para leitura, e filmes de vídeo, e presença, presença, presença... Este capítulo não terá fim!!!
E o filhão MA-RA-VI-LHA? O único que me agüentava no colo, colo forte e carinhoso que me amparou tanto. E a mãe? Assombrem-se, não brigou comigo nenhum único dia!
As reuniões das duas comunidades: Beato Anchieta e Virgem Oferente aconteciam ali, naquela salinha... Além das Etapitas e do Retiro de Páscoa que também saíram dali.
E as Eucaristias? Além da consolação do próprio Bom Pastor, a alegria dos amigos Ministros da Eucaristia e sacerdotes que lá estiveram e não me deixaram longe da Eucaristia.
E são muitos capítulos mais: o Grupo da Celebração (um dia eu conto), o terço diário (depois eu também conto), meu orientador que me atendia a domicílio (um pouco depois eu conto).
Enfim, e é bom eu terminar por aqui senão ninguém vai ler de tão grande, essa é a história de oitenta e dois dias de graça e consolação, que começaram um pouco antes da Quaresma e terminaram com a Ressurreição do Senhor – é ou não é um Bom Pastor?